sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Texto do Curso de Criação Literária

TEMA: Descrever um personagem / Se descrever


COISAS QUE SÓ EU POSSO AFIRMAR
Yádini Winter
Nome diferente, 19 anos e estuda francês. Não sabe bem o que está fazendo, mas isso a deixa bem mais tranqüila do que quando tinha certeza do que queria fazer. Sempre sonhou com fama e fortuna como todos que nascem dentro do sistema capitalista; no começo, pensava em modificar esse sistema com o Manifesto Comunista do Marx embaixo do braço, mas agora tenta achar pequenas felicidades dentro dessa bagunça econômica e política. O curso de letras acaba deixando as pessoas mais alienadas; os estudantes começam a confundir os livros com a realidade, e como os livros são melhores, esquecem a realidade. Boa escolha a  dela.
Mais velha de três irmãos, sempre teve que abdicar de seus brinquedos e dar para os mais novos, mas também os controlava e sempre fazia com que a sua vontade prevalecesse. Hoje, na casa dela, ninguém leva mais a sério a hierarquia entre os irmãos. Namora desde os 15 anos com o mesmo rapaz que conheceu no colégio em 2006, ela estava no primeiro ano e ele no terceiro. Hoje os dois estão na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e só se agüentam por que escolheram áreas bem diferentes; ele das exatas, ela das humanas - clássico.
Diferente da maioria dos jovens, gostaria de ter nascido no ano que nasceu, não consegue entender como as coisas funcionavam sem computadores, celulares e internet. Gosta do novo e do diferente, detesta pessoas que sem prendem ao passado e não mudam, por isso muda o corte de cabelo a cada seis meses. Tem preguiça de se arrumar e usar maquiagem, está quase sempre de calça jeans e tênis, a maioria all stares da sua pré-adolescência.
Gosta de música, dançar e é viciada em chocolate. Filha de alfabetizadora sempre foi incentivada a ler e escrever: têm seus cadernos de poesia desde a primeira série guardados no guarda-roupa. Não tem ídolos, não gosta de louvar, nem ao senhor nem a escritores ou músicos; põe todos os seres humanos no mesmo patamar de importância. É cética e mística. Normalmente, nada está suficiente bom para ela, reclama de quase tudo. Menos do seu nome, ela o acha perfeito para si.

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