sábado, 12 de março de 2011

Filho eterno - Cristovão Tezza

Li o livro e adorei. Muito bem escrito e envolvente. A maneira com o escritor muda de devaneios para realidade e vice-versa é impressionante, ele faz isso com uma leveza que tu não percebes e acaba sendo levado pela trama. A verdade com que ele escreve é uma coisa admirável, ele joga com os teus preconceitos - os pensamentos politicamente incorretos que guardas só para ti - e assume todos eles , criando uma ligação 'secreta' com o leitor; realmente admirável. Ele se expõe com uma coragem impressionante.Como o protagonista é o próprio autor e ele é formado em letras a identificação foi grande; fiquei bem contente de saber que se passa coisas parecidas com mais pessoas , que pensam nos mesmos autores que leram na faculdade em certo momentos.
O livro é cheio de citações de escritores, filósofos e artistas , o que exige do leitor um mínimo conhecimento da literatura e da arte mundial para compreender realmente o sentido das coisas. Logo, acho uma péssima escolha pra um vestibulando: ele vai se encantar com a historinha, mas não vai compreender realmente o que o escritor quis passar; e só a história desvaloriza o livro.   
E a UFRGS faz questão de fazer isso. 
Juro que não entendo a seleção de livros. 

Trechos que me agradaram particularmente:

"Nunca vale a pena voltar ao passado, dizia-lhe o amigo autor da infância. Quando a volta acontece a carência é tão grande que somos sufocados por tudo que nos falta para imobilizar o tempo e a vida. Acabou-se o que era doce: Fim - ele lê na tela imaginária. Não insista." pag. 196 

"Deram-lhe água, muita água, e ele de um golpe viveu a sensação perfeita de que estava morrendo, de que jamais escaparia daquele inferno físico, ironicamente no melhor momento de sua vida; era impossível curar aquela ânsia de vômito, a tontura invencível, o mundo que não para de girar, o monstro na sua cabeça - ele farai qualquer negócio para dormir, mas era impossível. Tudo rodava interminavelmente, por mais que ele fechasse os olhos com força para desaparecer na escuridão, até que, por milagre o dia amanheceu (...) " pag. 207 (rolou uma identificação GRANDE!)

Um comentário:

Diego Nascente disse...

Gostei do livro exatamente por ele ser leve, embora eu goste mais de um fluxo de conciência mais pesado,tipo James Joyce e Wiliiam Faulkner.