sábado, 25 de setembro de 2010

Começo das pancadas de chuva

A previsão do tempo estava errada uma semana antes: não teve sol, o clima não foi bom. Nuvens cinzas na minha alma. Toda a vez que eu penso nele, eu choro. Não consigo controlar. Meus olhos enchem-se de lágrimas - eu tento respirar fundo: as lágrimas resistem por alguns segundos em frente aos meus olhos. Cinco, quatro, três - penso que o quero muito do meu lado agora- dois.. respira fundo. um. Choro. Vou tomar banho para acalmar. A água quente do chuveiro mistura-se com a água salgada dos meu olhos. Não consigo ficar de pé. Acococar. Abraçar-se. Morder meus braços para tentar concentrar a dor que sinto por dentro em alguma outra parte do corpo. Saio do banho, olho-me no espelho. Olhos pimenta. Vermelhos pelo fluxo de água salgada, o mar dos meus olhos. "Como vou aguentar?! Não consigo nem pensar nele que fico assim. Concentrar-se em outras coisas. Vá ler 'O cortiço': amor, sexo e família. Nossa, não vou sobreviver." - penso. Noite de sexta-feira, a previsão é chuva - previsão acerta. Chuva dentro de mim, chuva sob meu rosto, chuva em tudo que vejo.

2 comentários:

Junie Nunes de Souza disse...

Uau! Apesar de expressar tristeza, o texto está lindo! :)

Junie Nunes de Souza disse...

Li uma frase em um artigo da revista Bravo que me fez lembrar das "reclamações" que você escreve:

"Gritar por socorro e atenção é o modo que encontrou para evitar a solidão, manter a sanidade e escapar da morte."

http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/wendy-guerra-carinho-dissidencia-594763.shtml