quinta-feira, 26 de março de 2009

Começo difuso.


Nada parecia estar conectado. Alguém tinha me deixado. Só alguém. Não lembro o nome nem a cor dos olhos, nem lembro se gostava dele. Talvez eu esteja me lembrando de quanto eu o amava. Por isso que dói. Meu corpo dói. Minha mente está desligada; como a televisão. Acho que era alto, gosto de homens altos. Loiro? Tanto faz, o que importa são os olhos. Verdes ou azuis? Cor de mel também é bonito. É. Bonito ele era, ou é. Eu consigo rostos bonitos. Gosto de rostos, bem de perto. Os detalhes. O olhar. As curvas. As bochechas macias. Quentes. Ele era quente com certeza. Pegava fogo e seu coração batia mais rápido que o normal em uma simples conversa. Talvez ele tivesse algum problema, ou fosse nervoso com mulheres. Mulher. Isso que sou. Sou mulher e atraente. Difícil para trabalhar, ainda mais quando se trabalha com rostos. Eles expressam tudo. A boca retorcida, os lábios secos, respiração rápida, o desviar dos olhos ou fixação dos mesmos; cada um tinha um jeito. Tentava enquadrá-los o mais lindamente possível. Mas ele. Só poderia ser ele. O rosto mais lindo que já vi; com sorrisos e bocejos. Como poderia esquecer? O enquadrado. Na minha câmera. Vou pegá-la. Aqui, ainda tem fotos dele. Lindos olhos. Olhos pirotecnicamente lindos. Sugadores. Profundos. Perdidos.
Achei-o. Na minha mente ao menos - Entrando na pasta... Joseph Volver: “Loiro, olhos claros, alto. A minha cara. Gentil, misterioso e sabe se vestir. Quieto. Observa-me tanto que perco o foco. Enquadramento perfeito... aperto. Pronto.” Acabaste aí. Junto com a minha vida e o meu passado recente. Algo estranho aconteceu, eu sinto. Sempre fui meio instintiva.
[...]
Yádini Winter

Um comentário:

Blu disse...

Queria ter olhos azuis e puxados, porém continuar sendo negão. Imagina?