segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Da idade

Ontem eu fiz 22 anos e tanta coisa mudou desde os meus 21 anos.
         Hoje eu sou professora. Sim, quando me perguntam a profissão eu já posso dizer: eu sou professora. E, apesar da desvalorização dessa profissão, ela ainda tem o seu glamour intelectual. A melhor parte é quando perguntam "Professora de quê? ", eu respondo "De francês" e os olhinhos de todos brilham "Tu fala francês? Que legal!".
         Não sei se vai ser esse o meu caminho -  ser professora - mas por enquanto não está insuportável. Na verdade até o momento de eu entrar em sala de aula é uma tristezinha, porque eu percebo "Porra, sou professora, ganho pouco e trabalho muita hora extra sem ganhar nada." Mas depois , quando eu entro para dar aula de francês, tudo parece legal e divertido e eu me sinto bem e isso é bom.
        Comecei a fazer os estágios finais obrigatórios do meu curso e estou começando a criar a certeza de não querer nunca na vida trabalhar em uma escola pública. Nada funciona direito. Os alunos não funcionam direito. E, mesmo eu querendo mudar as coisa com cartazes coloridos, na outra semana os cartazes são arrancados das paredes e somem. E só me dá tristeza ter que entrar na escola e ver tudo em volta. Menos os alunos: os alunos são divertidos, apesar de não quererem fazer nada. Mas acho que o culpado ali não são eles, é todo esse sistema que leva eles a serem assim, toda a falta de investimento em infraestrutura e em professores. O meio transforma as pessoas.
         To pensando em fazer mestrado já, sem nem ter feito o TCC e nem saber o tema direito. Quero fazer em informática/computação. Por quê? Porque hoje eu trabalho como professora e passo a maior parte do meu tempo em frente à um computador planejando as atividades e as aulas. Sinceramente, não sei como vivem os professores , hoje em dia, que não sabem usar um computador. Hoje, a tecnologia não é mais um mecanismo, uma ferramenta, ela é a extensão do nosso conhecimento. A tecnologia não é uma maneira de ensinar, ela está extremamente interligada a todos os passos e ações do meu eu professora na sala de aula, ela é uma extensão do meu conhecimento como professora, uma ferramenta que se tornou parte de mim e do que eu faço da vida. Queria poder mostrar e dissertar sobre essa importância e como é maravilhoso e mais fácil um mundo onde a educação e a tecnologia andam sempre juntas e interligadas, uma dependendo da outra.
         Em julho desse ano, eu fui para a França com tudo pago pela minha universidade. Foi uma experiência incrível que mudou a minha vida e me fez crer que sim, a vida pode mudar e sim, não é tão difícil assim. Fique um mês descobrindo muita coisa que pensei que nunca descobriria antes de me formar. Foi inimaginável isso tudo! Também fui para o Rio de Janeiro, para um congresso de professores de francês, fiquei 10 dias lá e foi maravilhoso. Praia é praia. Tenho certeza que metade dos europeus trocariam tudo para vir morar no Rio. E Paris, d'après moi, não chega aos pés de Copacana e daquele mar fantástico.
      E, como já era de se esperar o meu cabelo também mudou , estou cada vez mais loira e acho que essa cor realmente combina comigo. Todos falam que sim e eu me acho bonita.
       E, como também já era de se esperar, continuo namorando o Fabrízio e, apesar das brigas recorrentes, continuo me sentindo bem e feliz do lado dele.
       E vamos ver no que dá, com 23 anos terão acontecido tantas coisas boas como nesse ano?


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Chatice Aceitável - Como ser um chato !

É impressionante como os chatos da universidades são aclamados e respeitados. Quando eles passam pelo corredor, carregando seus livros canônicos e extremamente chatos, são alvo de comentários dos professores: 'Aquele ali sabe calar a boca, me ouvir e produzir uma pesquisa insuportavelmente chata comigo'.
O engraçado é que os chatos da universidades se acham extremamente legais e dignos de apreço. "Leio obras tão chatas e grandes quanto os nossos professores, poderia estar dando aula pra vocês, colegas" . E essa é uma das piores coisas: quando resolvem comentar algo em aula. Só faltam ir lá na frente, mandar o professor sentar e dizer 'Deixa comigo'.
Como se tornar um chato de universidade: Óculos e roupas demodés são essenciais para adquirir a imagem do chato de universidade. Tenha sempre um livro antigo e grosso a mão. Você terá também que encontrar amigos chatos que nem você para poder conversar sobre as suas chatices, além dos fãs menos inteligentes que você. Candidate-se as bolsas mais difíceis e complicadas, participe das pesquisas mais chatas que não tragam nenhum real contribuição para o mundo - além da sua fama de intelectual, claro. Seja de direita, movimentos de esquerda são para aqueles colegas maconheiros que não estudam e não tem a mesma genialidade que você. Complete as frases dos professores durante as aulas, principalmente quando eles esquecem alguma palavra, isso vale muitos pontos! Seus gostos musicais tem de ser extremamente chatos como você, não ouça músicas alegres e nem que tocam nas rádios, procure músicas de outros países (quanto mais desconhecido e depressivo melhor!). Diga que odeia o facebook e as redes sociais, mas tenha um para reclamar das coisas que as pessoas postam e postar frases de um de seus autores chatos. Escreva artigos, muitos artigos - na maioria, inúteis. Fale segundo o 'bom português', acerte todas as flexões e conjugações. Tenha uma pose de assexuado. E lembre-se: ser chato é estilo de vida.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Exercícios poéticos



Primeiro passo: Coloque uma música para tocar no fone de ouvido bem alto.
Segundo passo: Abra o bloco de notas do seu computador. (pode ser a mão, mas para conseguir captar  maior quantidade de pensamentos eu uso o computador)
Terceiro passo: Comece a escrever tudo que passar na sua cabeça.
Quarto passo: Organize o texto: não mude muito as frases, para deixar a essência delas; corrija os erros de português.

O que saiu de mim essa noite:


Te vejo conversando com os teus amigos sem ter estado ao teu lado no momento. Sinto teu coração pulsando  o ritmo da música desses pubs irlandeses que vais toda noite. Mas não sei se isso realmente importa. Tudo está gravado feito música no meu canto das memórias. Não vale a pena falar sobre tudo isso. Deixar guardado o torna mais precioso. Estar sozinho com eles os torna mais preciosos, sabendo que ninguém conseguirá vê-los além de mim. Estou sentido esse espírito jovem do outro lado do planeta se misturando ao meu mundo de luzes brilhantes da nossa cidade natal. Tudo se funde tão rápido e lógico e completamente. A batida é mesma, você está sentindo? Are you feeling?
(Young Folks)

Entrei no teu quarto e vi tudo tão igual a como sempre foi. Só que não é mais. Tudo continua intacto, só que sem você.
Teus papéis ao lado do bidê, os sapatos novos embaixo da cama, os quadros por pendurar no canto do quarto, os quatro travesseiros empilhados na cama. O teu cheiro sem teu corpo. A tua foto sem a cópia real. O teu violão sem a tua voz pra acompanhar. Os teus livros de matemática acumulando poeira. Eu folheio, folheio, folheio... Mas nao entendo nada. Não consigo entender as tuas anotações! Não consigo entender mais teus pensamentos. Nao te ouço mais. Onde está a tua voz? Onde está a tua voz?! A verdadeira, aquela que me acordava de manhã, de noite, de tarde. Que acordava a minha alma, que fazia  ela levantar voo. Que fazia meu coração saltar do meu peito, se desprender das minhas veias e artérias. Que me fazia sentir viva. e feliz.  
(Depois)

13 anos: bandas da minha cidade tocando e conquistando meus sorrisos e meus gostos. O refrão daquela banda se repete no meu peito lembrando minha pré-adolescência. Saias pregueadas com meias arrastão pulando junto com a platéia, até chegar o refrão e eu dar o mais alto pulo de toda a música enquanto sorrio com pessoas que eu conhecia. Mensagens e cartas e sms e conversas que eu recebia de tanto e tão poucos. Encontros na praça perto da casa da minha melhor amiga, com possíveis amores, com possíveis sonhos, com possíveis vidas . Criando possíveis laços.
(Milésima canção de Amor)

A gente dança junto dentro do teu carro e junto a isso eu lembro todos que um dia cantaram essa música comigo. E os rostos e momentos vão passando, mais rápidos que páginas de livros quando bate o vento. O som da guitarra acompanha a batida do meu coração e os picos de emoção , os picos de sentimentos, os gritos e os choros, e as brigas, mordidas, beijos, socos, empurrões. Meu corpo descansa quando só fica a microfonia do nada.
(What's my age again?)

sábado, 28 de julho de 2012

Aos detestadores de Café


Odeio Café

Ele está em todos os lugares, da casa da sogra até a carrocinha na esquina. E todos compram e apreciam e amam e querem. E se derramam em belas palavras descrevendo-o , como se fosse algo divino, e, no final, é só uma água preta e quente com cheiro forte. Qual é a magia que tem no café? O que as pessoas veem nele?

Iguaria espetacular que dava força dos guerreiros e a vivacidade aos sábios. Hoje são os jovens executivos, os estudantes e os pedreiros que depositam nele as esperanças de mais ânimo e força para enfrentar a luta diária. Glorificam o tal grão torrado como se as suas vidas dependessem disso, como se não pudessem continuar a viver sem o mesmo. Declaram o seu amor aos sete ventos, em propagandas na tv e no facebook. Exibem-se com as suas xícaras e copos de isopor: 'Tomo café, tenho um bom paladar. Sou fino.’ ou ‘Preciso do meu cafezinho pra ter forças pra trabalhar’.

 E o pior de tudo: associam isso a intelectualidade. Escritores têm de beber café, senão não são bons escritores. Professores precisam do café para corrigir as provas durante a madrugada. ‘Usamos óculos, lemos livros enormes e tomamos café nas nossas xícaras com frases engraçadas. E depois postamos no Instagram para aumentarmos o nosso status’. Todos os universitários se reúnem na cafeteria para discutir sobre a prova de cálculo e Bakhtin. E, enquanto tomam seus cafés, defendem Machado de Assis e o ensino tradicional nas escolas. As ladainhas ao fruto do cafeeiro recomeçam em meio ao um gole e outro dessa bebida dos deuses.

Café não vai resolver os teus problemas e nem te dará ânimo para trabalhar no emprego que tu detestas. Não vai ajudar a resolver a cura da AIDS nem a entender Deleuze. Ele só vai te fazeres gastar teu dinheiro e ficar com dor de estômago. É desperdício. Não é mágico, não tem encanto. É só uma água preta e quente. Tentadora como qualquer outra droga – cocaína ou religião.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Um dia eu mando fazer!


Vestidinhos florais e de verão  


 

 
Coisinhas de Paetê


 
Saias fofas



Vestidinhos no geral

 


 

 



Blusinhas




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Receitinha delícia !

Inverno pede chá. E chá pede biscoitos! Mas esses biscoitinhos para tomar com chá são muito caros ( sabe quando tu pede um cafezinho e vem aquele mini biscoitinho?)Eu já fiz duas vezes essa receita de biscoitinhos de laranja com a minha vó e é muito boa, barata e simples.



Foto da Primeira vez que eu fiz!

Os Fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore

"Inspirado igualmente pelo Furação Katrina, Buster Keaton, O Mágico de Oz, e a devoção aos livros,The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore), vencedor do Oscar de Curta-Metragem de Animação de 2011, é uma alegoria bem humorada sobre o poder curativo das histórias."


Vale MUITO a pena ver!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Final do semestre (ou será que não?)

Terminou mais um semestre. E como eu tinha pensado , no ponto mais alto do meu desespero, tudo acabou bem, sem nem recuperações. O fato é que a UFRGS entrou em greve , sem previsão de volta até que o governo tome alguma providência e, em forma de protesto e para trancar as matrículas do próximo semestre, os meus professores ( e todos da UFRGS, menos os fura-greve) não postarão os conceitos no Portal do Aluno. Estamos todos , alunos da UFRGS, teoricamente, ainda, no primeiro semestre de 2012.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Captação de sons e sentidos